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especial saúde | entrevista

O futuro da saúde: inovação e tecnologia

Filipa Mota e Costa, diretora-geral da Janssen Portugal, a empresa farmacêutica do Grupo Johnson & Johnson

O sector da saúde nacional precisa de investir em tecnologia para obter melhores dados, melhor conhecimento e melhores cuidados





F ilipa Mota e Costa, diretora-geral da Janssen Portugal, a empresa farmacêutica do Grupo Johnson & Johnson, defende que o país precisa de “uma visão nacional para implementar infraestruturas tecnológicas integradas, de forma harmonizada, segura, percetível e acessível”.

Como é que a cooperação existente no sector da saúde para desenvolver as vacinas pode levar-nos mais longe na prevenção, gestão e tratamento das doenças?

A inovação e o desenvolvimento em saúde estão intimamente ligados à cooperação. Na Janssen, há já alguns anos que seguimos uma estratégia de colaboração aberta.

Acreditamos que o mundo é o nosso laboratório e é com a força da cooperação com os diferentes intervenientes que desenvolvemos terapêuticas transformacionais para o doente. A corrida pela vacina a que assistimos não teria sido possível sem a ciência, sem anos de contínuo investimento e conhecimento adquirido e sem intensa colaboração, que ocorreu a um nível nunca antes visto.

Houve uma enorme cooperação entre companhias farmacêuticas e os reguladores e decisores, e o mecanismo de rolling review, criado pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), é disso exemplo. Em vez de a EMA esperar pela reunião e submissão de todos os dados produzidos, foi-os avaliando à medida que iam sendo conhecidos. Era importante levar este processo para o futuro e que esta colaboração se estendesse, por exemplo, à aprovação e realização de ensaios clínicos, em que Portugal precisa de ser mais competitivo, e à aprovação e acesso a novos medicamentos, processo em que Portugal ainda é dos países mais demorados da União Europeia.

A ciência e a tecnologia estão de mãos dadas no combate às doenças e a sua união tem permitido avanços significativos, em particular no que toca à medicina personalizada. Será este o futuro?

A medicina personalizada é uma abordagem específica, customizada a determinadas características, no tratamento e prevenção de doenças, por oposição ao one-size-fits-all que atualmente impera. Com informação sobre a genética, dados de vida real sobre o estilo de vida do doente e o ambiente em que vive será possível tratar as pessoas de forma diferenciada e mais efetiva. Será um tremendo ganho de eficácia, com um valor inquestionável para a saúde de cada um de nós.

A medicina de precisão não se restringe à farmacologia. Mas é a este nível que mais se sentirá o seu impacto, por contribuir para identificar, para determinado doente, o melhor tratamento e evitar aqueles aos quais o doente não vai responder. Esta efetividade interessa a todos: doente, pagador e prestador. Nessa medida, acreditamos ser este o futuro, que começa a ser uma realidade hoje.

As CAR-T, já existentes em Portugal, são dos melhores exemplos de medicina de precisão que temos atualmente. Neste processo, as células do próprio doente são reprogramadas geneticamente e reintroduzidas no organismo para agirem sobre alvos oncológicos específicos. Doentes com esperança média de vida de dois meses passam a ter 10, 15 anos ou mais.

Quais as áreas da saúde onde a aplicação da medicina personalizada poderá ter maior impacto?

A área da oncologia tem um elevado potencial neste tipo de abordagem. A medicina de precisão, nos cuidados oncológicos, envolve muitas abordagens diferentes, como medicina individualizada, terapia direcionada, imunoterapia e genómica. As nossas terapias direcionadas e imunológicas já melhoraram a vida de muitos pacientes, mas ainda há muito mais a fazer.

Na área das biociências, os prestadores de cuidados de saúde terão à disposição tecnologia e soluções de diagnóstico para que possam identificar a doença e intervir mais cedo, curar pessoas que vivem com doenças crónicas e, potencialmente, até prevenir doenças antes do início dos sintomas. Os biomarcadores podem ajudar a antecipar o surgimento de cancro antes de acontecer. Acreditamos que no futuro isso se poderá estender a outras áreas, como a das doenças autoimunes.

Qual a importância dos dados para o uso eficiente desta inovação?

Como é necessário investir na transformação digital da saúde e apostar no registo de dados, necessitamos de uma visão nacional para implementar infraestruturas tecnológicas integradas de forma harmonizada, segura, percetível e acessível.

Recolher e tratar dados é o que nos permitirá pensar nesta medicina cada vez mais personalizada e ajustada ao perfil de cada doente. Mas como são necessários dados a partir dos quais se possa extrair conhecimento, o recurso à tecnologia é fundamental para que isso aconteça. Por isso o sector da saúde nacional precisa de investir em tecnologia para ter melhores dados, melhor conhecimento e melhores cuidados. E é necessário que esses dados sejam facilmente localizáveis, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis.

Estamos a caminho da personalização e valorização dos cuidados em saúde

Depois de uma pandemia como a que decorreu recentemente, quais os ensinamentos que podemos tirar?

A ciência e a colaboração foram a chave certa para se atenuar e até superar os efeitos da pandemia. Sem elas, a vacina não chegaria e o impacto mundial sobre a saúde das pessoas e a economia teria sido ainda maior.

Ficou claro, com esta pandemia, que a preparação, agilidade e capacidade de resposta resultam de anos de conhecimento e dos investimentos realizados, e que estes têm de ser potenciados com a criação de ambientes económicos e regulamentares mais favoráveis e colaborativos.

Qual a sua visão do futuro da saúde?

O futuro é o da personalização e valorização dos cuidados em saúde. Para isso é fundamental termos uma visão clara sobre o que se irá passar, para avançarmos para uma harmonização dos dados em saúde integrando quem está mais atrasado à medida que o caminho se faz.

Se Portugal quiser entrar neste comboio, terá de começar já a realizar as reformas que permitam a rentabilização ao máximo dos dados, porque estes serão o acelerador da saúde do futuro, com melhores resultados e sistemas mais sustentáveis. Do nosso lado, continuaremos a trabalhar para no futuro fazer da doença algo do passado. Sempre em prol das pessoas. Para que esta seja cada vez mais uma realidade também em Portugal, necessitamos de uma visão nacional para implementar infraestruturas tecnológicas integradas de forma harmonizada, segura, percetível e acessível. Por isso o sector da saúde nacional precisa de investir em tecnologia para ter melhores dados, melhor conhecimento e melhores cuidados.