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especial saúde | opinião

Do utente ao cliente, o paradigma da saúde redefinido

Luís Teodoro, administrador da SoftFinança

As tecnologias de informação estão no centro da transformação do sector nacional da saúde e poderão redefinir a experiência dos portugueses perante os seus serviços





A sector da saúde tem tido uma transformação profunda e acelerada, alicerçada nas inovações tecnológicas, do diagnóstico à atuação clínica cada vez mais precisa e menos invasiva, mas também na digitalização de processos e procedimentos, não só a nível clínico como também de gestão.

Assegurar coisas tão essenciais como um registo de entrada com base no critério de urgência, que determinada que a terapêutica é devidamente seguida, ou um registo unificado do cliente são alguns dos benefícios da utilização adequada de soluções tecnológicas para o trabalho das instituições de saúde – gestão de custos, maximização da eficácia da operação diária e redução das perdas, seja de recursos escassos, seja do tempo dos profissionais de saúde. Mas também podemos realçar o papel da tecnologia na viabilização da medicina à distância, que permite o acesso de toda a população a todas as especialidades, ou a ajuda que o processamento de dados proporciona ao facultar mais informação qualificada, que auxilia os médicos na sua avaliação clínica dos doentes.

É atualmente possível a qualquer profissional de saúde aceder a registos digitais clínicos para assegurar que as condições preexistentes do utente estão devidamente identificadas. Isso permite-lhe atuar com o devido cuidado na prática terapêutica e contribui para que o ato médico tenha a máxima eficácia. Disponibilizar a informação certa, no momento certo, sempre foi um objetivo, que vai sendo cada vez mais alcançado com a ajuda das tecnologias de informação. Estas podem também desempenhar outro papel fundamental, ao possibilitar a eliminação de um problema recorrente até à data, que ocorre no período entre as consultas, mais ou menos periódicas, que o utente faz nos serviços de saúde.

Os equipamentos de monitorização passaram de modelos estáticos, que registam diferentes parâmetros de informação, para modelos que permitem a ligação e alerta, até em tempo real, dos profissionais de saúde para situações de risco iminentes, prevenindo-as e antecipando-as. O paradigma muda e o utente pontual passa a um perfil de “cliente”, acompanhado e monitorizado, com o mínimo de interferência e de incómodo, pelo sistema de saúde, que pode fazer uma melhor gestão da sua situação clínica. Da mesma forma, é possível ter registos clínicos com um maior nível de granularidade para assegurar a melhor terapêutica. As informações obtidas em tempo real podem ainda ser utilizadas de forma imediata, para formular diagnósticos e acompanhar a evolução clínica dos pacientes, por exemplo no que respeita a parâmetros de medição de colesterol, diabetes e outras avaliações diárias importantes para a prevenção e o bem-estar.

O próximo passo neste processo de transformação será dado com a democratização da tecnologia 5G, que permitirá a ocorrência de cenários de tratamento que, até há pouco tempo, estavam no domínio da ficção, mas que gradualmente se irão tornar possíveis. São desde situações mais comuns, como a telemedicina com utilização de dispositivos do lado do utente/cliente, que permite complementar a análise feita por via eletrónica, até cenários como o da operação remota ou o apoio à distância de profissionais em situações de maior complexidade, possibilitando o acesso a serviços de saúde de excelência. Adicionalmente, a tecnologia também irá permitir melhorar o diagnóstico, recorrendo a ferramentas de inteligência artificial e à análise massiva de dados. Da gestão da operação aos processos clínicos, do acompanhamento do cliente/utente à transição para um modelo preventivo e preditivo, proporcionando um serviço cada vez melhor e mais personalizado, as tecnologias de informação estão no centro desta transformação e poderão redefinir a experiência dos portugueses perante os serviços de saúde nacionais, em que o utente e o seu bem-estar serão sempre o centro de todo o desenvolvimento tecnológico.