MENU
dossiê promocional
especial poupança | opinião

A sustentabilidade da poupança...

Jorge Silveira Botelho, chief investment officer na BBVA Asset Management em Portugal





V ivemos um dos maiores paradoxos financeiros dos tempos modernos, onde o aforrador, graças aos avanços científicos, aufere da graça crescente do aumento da esperança de vida, mas, em contrapartida, confronta-se com a vigência de um regime de repressão financeira, que torna complexa a gestão da poupança. Este regime caracteriza-se pela suspensão do ciclo tradicional de taxa de juro, onde a adoção estrutural de uma política monetária de taxas de juro reais de longo prazo negativas, com vista a mitigar os riscos do excessivo endividamento das economias, acaba por distorcer e condicionar as opções dos aforradores em rentabilizar as poupanças de forma consistente e sustentável.

A emergência desta realidade veio expor ainda mais as debilidades dos sistemas de segurança social, na medida em que a gravidade do problema não se cinge apenas ao envelhecimento da população, mas também às dificuldades óbvias que emergem no financiamento dos próprios sistemas sociais, fruto da ausência de uma taxa de juro para capitalizar ao longo do tempo a poupança.

Investir em ativos reais não é, sem dúvida, a forma mais intuitiva de se poupar para as gerações mais velhas, que foram habituadas a fazê-lo através do instrumento de taxa de juro. Mas na realidade investir-se a 25 anos em ativos de dívida alemã com taxas de juro reais negativas de 1,6% (fonte: Bloomberg) significa que no fim desse período perdemos mais de 30% do nosso poder de compra...

Os desafios para os aforadores são manifestamente complexos, mas a única forma de conseguirem mitigar parte dos efeitos nocivos deste regime de repressão financeira é alargarem as opções de investimento, estendendo o seu horizonte temporal, procurando com isso investir de forma consistente e sustentável em ativos reais.

Nos tempos que correm, a poupança só vai ser sustentável se procurarmos investir em ativos que, por um lado, mitiguem os riscos de investimento, mas que, por outro, nos ofereçam a possibilidade de auferirmos rendimentos reais no longo prazo.

Os critérios de investimento responsável, ESG (Environment, Social, Governance), são a forma mais intuitiva que hoje dispomos para que o aforrador consiga contrariar este regime de repressão financeira vigente.

Primeiro porque poupar com critérios ESG é a forma mais fácil de nos encontrarmos dispostos a alargar o horizonte temporal da nossa poupança, uma vez que estamos a investir para um mundo melhor, do qual as gerações futuras também podem usufruir.

Segundo, porque os critérios de ESG mitigam os riscos do investimento ao provocarem um maior escrutínio na gestão das empresas por parte dos investidores e dos reguladores. Uma maior segregação de funções e uma maior transparência no funcionamento dos modelos de negócios fazem com que estas empresas beneficiem de custos de capital muito mais baixos e tornem os seus modelos de negócios mais sustentáveis e duradouros.

Por fim, porque investir sob os critérios ESG é investir de forma consistente e sustentável em ativos reais, onde a primeira derivada do acrónimo ESG não é mais do que investir em ativos reais como equities, soils & gold. Não é por acaso que estes ativos se têm valorizado de uma forma tão consistente nos últimos anos, porque os critérios ESG também permitem valorar de uma forma mais consistente as externalidades e as componentes intangíveis que estão subjacentes aos ativos reais.

Neste contexto, e apesar do regime vigente de repressão financeira em que vivemos, o investimento socialmente responsável acaba por abrir uma oportunidade única ao aforrador de também tornar sustentável a sua poupança, ao dar-lhe condições de a poder rentabilizar de forma mais criteriosa, através de investimentos em ativos reais: equities, soils & gold.