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Especial Região Centro | Casos de Sucesso

O som de Portugal nas grandes produções de Hollywood

Nuno Fonseca, CEO da Sound Particles

O software da portuguesa Sound Particles torna o som dos filmes mais realista e melhora a experiência de quem assiste a cinema e televisão





C riada por Nuno Fonseca em 2016, a Sound Particles desenvolve software áudio 3D para a indústria do entretenimento, usando técnicas de computação gráfica aplicadas ao som.

Cerca de 15 anos antes, este docente do ensino superior, que dava aulas de Engenharia Informática no Politécnico de Leiria e de Tecnologias da Música na Escola Superior de Música de Lisboa, apercebeu-se de “que os efeitos visuais mais giros que via no cinema usavam sistemas de partículas, técnica de computação gráfica que cria milhares ou milhões de pequenos pontos para recriar fogo, chuva, pó de fada, explosões ou tempestades de areia”. E pensou que seria interessante fazer o mesmo com o som, algo que poderia gerar efeitos sonoros extraordinários. Mas isso era, na altura, só uma ideia…

Espírito de iniciativa

Em 2012, depois de se ter doutorado, decidiu criar um software próprio para fazer isso, numa altura em que ainda ninguém estava a usar sistemas de partículas para a produção de som. Dois anos depois foi a Los Angeles participar numa conferência científica e resolveu enviar e-mails a cinco ou seis pessoas de estúdios de Hollywood comunicando que estava a trabalhar nesta tecnologia e que ia estar na vizinhança.

A primeira resposta veio do Skywalker Sound, criado por George Lucas durante a produção d’A Guerra das Estrelas, “hoje o maior e melhor estúdio de som para cinema do mundo inteiro”, explica Nuno Fonseca. Era um convite para dar uma palestra no Skywalker Ranch, a norte de S. Francisco, a primeira de muitas, já que no espaço de seis meses deu mais algumas para a Warner Bros, Universal, Sony, Fox, Paramount e mais tarde para a Disney, Pixar, Apple, Blizzard, etc.

O software desenvolvido pela Sound Particles permite criar cenas complexas, de forma muito rápida e com muito mais qualidade, explica o CEO da empresa. “Se alguém precisar de criar o som de uma batalha épica, por exemplo, irá usar provavelmente o seu editor de áudio e começar a importar sons de guerra”, conta, acrescentando que, começando com “um tiro aqui, outro acolá, talvez tenha 50 ou 60 sons ao mesmo tempo passadas oito horas”. Mas o software da sua empresa permite criar 10 mil sons a tocar ao mesmo tempo em menos de 15 minutos. “Quanto maior a produção e mais épicas forem as cenas, maiores as vantagens da utilização do Sound Particles”, defende Nuno Fonseca. Em 2016 criou oficialmente a empresa, que hoje trabalha nas áreas de cinema e televisão, videojogos e música, onde tem clientes como a Disney, Warner Bros, Fox, Sony, Universal, Blizzard, Ubisoft ou Epic Games. A tecnologia da empresa já foi usada em produções como a série televisiva Game of Thrones e os filmes StarWars, Frozen 2 e Dune, entre outros.

Hoje, o mercado internacional representa 99% das vendas da Sound Particles. O principal é o norte-americano, que representa 50% das vendas, seguindo-se o Reino Unido, com 10%. No ano passado, a organização começou também a apostar no mercado asiático, “com especial foco no Japão e na China”.

Um trabalho complexo

O tempo de preparação do som de uma produção cinematográfica, como o Dune, pode variar entre oito semanas e oito meses e cresce com a sua dimensão. “Estamos a falar de várias equipas a trabalhar em simultâneo nos diálogos, que precisam de ser editados e até regravados, na música e nos efeitos sonoros”, explica Nuno Fonseca. No fim ainda é preciso juntar tudo e misturar o filme. “A vantagem, para os espectadores de televisão e cinema, é terem uma experiência melhor, mais imersiva, no filme, videojogo ou com a música, devido ao som ser muito mais realista”, acrescenta ainda.