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especial transformação digital | ABERTURA

Futuro da economia é digital, mas há trabalho a fazer

Dois anos de pandemia forçaram o aumento de ritmo da digitalização nas empresas que resistiram às dificuldades. Porém, é essencial continuar a investir para atingir uma recuperação de sucesso pós-covid





P ortugal tem vindo, ao longo dos últimos anos, a melhorar vários dos indicadores analisados anualmente pela Comissão Europeia através do DESI – Índice de Digitalização da Economia e da Sociedade. No ranking referente a 2021 o país conseguiu subir da 19.ª para a 16.ª posição entre os 27 Estados-membros, mantendo-se, ainda assim, com uma pontuação ligeiramente abaixo da média europeia (49,8 pontos, contra 50,7 pontos). Entre as conquistas nacionais destaque para “um aumento significativo” de especialistas em tecnologias de informação e comunicação (TIC), assim como um desempenho acima da média no que respeita ao número de portugueses com competências digitais avançadas.

No entanto, mantêm-se desafios que importa resolver para continuar a surfar a onda da digitalização. Um dos principais prende-se com a percentagem da população sem competências digitais básicas, indicador que pode significar a exclusão de muitos indivíduos da economia do futuro. O diagnóstico é conhecido e as soluções dividem-se entre o Plano de Ação para a Transição Digital, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o programa INCoDe.2030 – em todos estes documentos estratégicos Portugal reconhece a importância de capacitar digitalmente os cidadãos e garantir a sua inclusão. Aliás, o PRR, que dedica um dos seus três pilares à transição digital, prevê como um dos objetivos primordiais formar 800 mil pessoas em competências digitais, mas também a requalificação de trabalhadores nas empresas.

São as organizações que merecem, neste capítulo do Plano de Recuperação, cerca de €650 milhões a utilizar em capacitação digital (€100 milhões), transição digital (€450 milhões) e catalisação digital das empresas (€100 milhões). Após o aumento do ritmo da digitalização da economia, forçado pelas exigências da pandemia, urge agora manter a velocidade para garantir uma recuperação económica de sucesso, inclusiva e robusta. Para isso, contudo, será importante assegurar a adoção progressiva de soluções tecnológicas de apoio à decisão, como ferramentas de machine learning ou inteligência artificial, mas também a digitalização de processos para libertar recursos e otimizar a atividade. O aumento da eficiência gerado pelas ferramentas digitais permite uma melhor gestão dos colaboradores, redirecionando-os para atividades de maior valor acrescentado, como a inovação.

A banca é um dos exemplos em que a inovação continua a ser necessária, já que, de acordo com dados da plataforma de open banking Tink, 73% dos executivos financeiros consideram que o sector precisa de acelerar neste indicador. A desburocratização, a cibersegurança e o aumento dos serviços digitais são fatores considerados essenciais para melhorar a relação entre banco e cliente, mas sobretudo para apoiar a recuperação económica do tecido empresarial no pós-covid. Ainda segundo a Tink, cerca de 50% dos gestores nacionais acreditam na melhoria dos serviços digitais da banca, com maior foco na recuperação da rentabilidade por via da automação e a simplificação de processos.

Estado mais ágil e próximo

Uma das áreas em que Portugal regista melhor desempenho entre os indicadores analisados pelo DESI 2021 é na digitalização dos serviços públicos. Nesta rubrica, o país está mesmo entre os líderes europeus no acesso aos serviços do Estado para a população e para as empresas. Mesmo assim, o PRR reconhece a necessidade de continuar a investir na transição digital da Administração Pública, que merece uma dotação orçamental de €578 milhões. O objetivo, lê-se no documento, é “promover a eficiência, a modernização, a inovação e a capacitação”, de forma a reforçar o contributo do Estado “para o crescimento e desenvolvimento económico e social”. Uma das principais medidas previstas passa pela criação de um Portal Único de Serviços Digitais, uma espécie de Loja do Cidadão online, através da qual será possível tratar de toda a relação com o Estado de forma simplificada.

Para acelerar esta transformação na máquina pública, o governo prevê a utilização de €88 milhões em programas de capacitação digital dirigidos aos funcionários públicos.

Um horizonte de desafios

Embora existam cada vez mais sinais indicativos do abrandamento pandémico, outros desafios internacionais mantêm-se ou agravam-se, como seja os ainda fortes constrangimentos nas cadeias de abastecimento e as consequências da guerra que se vive na Ucrânia. Antigos problemas, como a necessária reindustrialização do Velho Continente, ganham hoje nova importância e exigem das empresas e dos Estados um esforço conjunto para aumentar a resiliência da economia europeia.

No que à recuperação económica dos negócios diz respeito, dados da McKinsey apontam que 64% dos executivos auscultados acreditam ser necessário criar novos negócios digitais para que os seus negócios se mantenham relevantes num futuro próximo. A consultora indica ainda que 65% das organizações reforçaram, durante os dois anos de pandemia, o investimento em soluções tecnológicas e que as empresas com melhor desempenho financeiro foram aquelas que mais inovaram durante a crise sanitária. O PRR pode, mais uma vez, ser um aliado dos gestores no fomento da disrupção, nomeadamente por via dos apoios específicos ao empreendedorismo e ao comércio digital.

Os dados são, por isso, muito claros: para continuarem no mercado e aumentarem a competitividade, as empresas devem manter o foco na transição digital, assim como na requalificação de trabalhadores e na alteração dos seus modelos de negócio. Em simultâneo, o reforço de investimentos em atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) e no aumento da colaboração – em particular com centros de especialização e academia – são vistos como condições fundamentais para a catalisação da inovação.