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transformação digital | entrevista

A transformação digital é essencial para as organizações

Ricardo Lebre, partner & head of technology da NTT DATA Portugal

Deve ser encarada passo a passo, projeto a projeto, de acordo com as prioridades, colocando sempre as pessoas em primeiro lugar





P ara Ricardo Lebre, partner & head of technology da NTT DATA Portugal, é essencial apostar na formação de profissionais de TI, porque são escassos para as necessidades atuais, e é preciso capacitar a sociedade através de formação em conceitos básicos para se navegar no mundo digital e sensibilizá-la para os seus riscos e ameaças.

A transformação digital implica a mudança cultural, organizacional e operacional de empresas, grupos ou sectores da economia, através da integração inteligente de processos, competências e tecnologias digitais. Como é que este processo tão abrangente pode e deve ser feito?

A transformação digital deve ser encarada como uma prioridade pelas organizações, que se têm de atualizar e modernizar para fazer face aos desafios presentes e futuros, porque vivemos numa economia globalizada e em permanente evolução. Ainda assim, a transformação digital não é algo que se faça de uma só vez.

Deve ser encarada passo a passo, projeto a projeto, de acordo com as prioridades de cada organização, colocando as pessoas em primeiro lugar, pois são elas que protagonizam a mudança.

O primeiro passo é identificar corretamente as necessidades de negócio e as formas de medir os objetivos a alcançar. Depois, com base nas melhores práticas do mercado, as organizações podem selecionar as melhores soluções tecnológicas para o problema. Neste âmbito, é imprescindível ter em consideração temas como a agilidade, onde o caminho para a cloud das organizações tem um papel fundamental; temas de dados, que permitem uma tomada de decisão mais fundamentada e até a capacidade de decidir sem intervenção humana, através de técnicas de inteligência artificial que podem ser utilizadas por clientes e colaboradores; automação de processos, e, por fim, todos os aspetos relacionados com a segurança da informação.

No fundo, a transformação digital tem sempre de servir uma necessidade e gerar uma melhoria significativa da performance da organização. É um processo contínuo, que vive da concretização de projetos, que podem, ou não, estar interligados entre si.

A digitalização pode contribuir significativamente para o sucesso da transição energética e ambiental

Não basta criar um universo cada vez mais digital, onde os processos tenderão a ser mais claros e rápidos de executar, com menos custos. É preciso associar as pessoas à digitalização, independentemente das suas origens, cultura e conhecimentos. Quais são as iniciativas da NTT DATA para uma maior e melhor literacia digital nas áreas de atividade onde está envolvida?

A transformação digital não se alcança sem pessoas e sem as servir. A questão da capacitação é por isso fundamental para que possamos tirar partido da evolução tecnológica.

É essencial apostarmos, por um lado, na formação de profissionais de TI. São escassos para as necessidades atuais e sê-lo-ão ainda mais no futuro. Por outro, é preciso capacitar a sociedade através de formação de conceitos básicos e fundamentais para se navegar no mundo digital, mas também sensibilizá-la para os riscos e ameaças que isso compreende.

A NTT DATA Portugal encara estes dois desafios como uma prioridade. Por isso promove um conjunto de iniciativas de reskilling e upskilling de talento. Para além de incentivar e dar condições aos seus colaboradores para realizarem formações complementares e certificações, é um dos mecenas da 42 Lisboa, para promover a formação de profissionais de TI sem conhecimento neste campo. É o mesmo propósito da Academia NTT DATA & Fidelidade, que permitiu formar e integrar no mercado de TI 30 jovens de outras áreas do conhecimento.

Também trabalhamos com várias universidades e politécnicos no desenvolvimento de formações complementares ao ensino tradicional que ajudem a mitigar as necessidades de talento em TI. Estamos ainda empenhados em contribuir para a literacia digital da sociedade, através de formações e da sensibilização para os riscos e ameaças associados à tecnologia e ao digital.

O aumento dos riscos de segurança, num universo cada vez mais digital, exige uma abordagem mais inteligente para proteger dispositivos, documentos e dados?

De facto, vivemos um tempo novo em ambiente profissional. São muitas as organizações que já adotaram em definitivo um modelo híbrido ou remoto. O trabalho já não decorre agora apenas no interior das instalações das empresas, mas também nas casas das pessoas, em modelos de coworking em todo o lado. Isto significa que as organizações são hoje mais digitais do que antes e, por isso, têm de ter mais precauções de segurança, já que o crescimento da digitalização aumentou o risco da ocorrência de ataques dos cibercriminosos. É por essa razão que na NTT DATA defendemos um modelo de segurança zero trust, que parte sempre do princípio de que todos os sistemas e dispositivos estão sob ameaça, independentemente do local onde se encontrem e, como tal, é necessário implementar medidas adequadas para mitigação de riscos em cada contexto.

A tecnologia e a economia digital deverão crescer nos próximos anos e, com isso, irão ser criados cada vez mais dados, a partir dos quais se podem extrair informações para aumentar o conhecimento científico, social e económico de empresas e outras organizações. Como é que poderá ser extraído valor desses dados para as empresas?

A expressão “os dados são o novo ouro” é já antiga, mas ainda há muito a fazer para que as organizações possam tirar partido de todo o seu potencial.

Atualmente, dispõem de um grande volume de dados, mas nem sempre conseguem retirar o real valor desses dados. É preciso que haja uma figura de governance que assegure uma estrutura de gestão de dados que permita explorar todo o seu potencial, gerar valor para a organização e facilitar as tomadas de decisão, entre outros aspetos, com a introdução de soluções de inteligência artificial (IA). Tudo isto, claro, respeitando a legislação e os princípios éticos e deontológicos de cada contexto.

O mundo está em mudança. O seu sistema energético, baseado em combustíveis fósseis, está a evoluir para o uso de tecnologias de baixo carbono e energias renováveis, devido às mudanças climáticas. Qual a importância da digitalização para garantir que este caminho é feito da forma mais correta e eficiente?

A digitalização ou transição digital é um movimento que corre em paralelo com a emergência climática que vivemos. Mas não são realidades distintas. Elas cruzam-se e essa ligação pode gerar vantagens para a sustentabilidade ambiental. Por exemplo, na gestão eficiente dos sistemas de energia, já que a capacidade preditiva da tecnologia (IA) pode ajudar a privilegiar a utilização de energias renováveis em detrimento das fósseis, em determinado momento e lugar, tornando o sistema mais verde e eficaz. Pode igualmente contribuir para o aumento da capacidade de armazenamento de energia, o que reduz a dependência de energias fósseis. Por outro lado, como a reutilização de recursos é prática fundamental para reduzir a pegada de carbono, a associação de dados aos recursos e materiais produzidos, em conjunto com a rastreabilidade (blockchain) dos mesmos, poderá favorecer a criação e desenvolvimento de economias circulares e atividades até agora desconhecidas.

A sensorização, a geolocalização e a robótica (IoT) são algumas das tecnologias que nos permitirão aumentar a nossa capacidade de monitorização e proteção de espécies, garantindo assim a manutenção da biodiversidade do planeta. E se pensarmos que a inversão da emergência climática passa fundamentalmente pela redução da nossa pegada de carbono, a capacidade de medir e acompanhar as emissões, com tecnologia e dados (big data), poderá contribuir, de forma significativa, para o sucesso dos esforços globais para que isso aconteça.