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especial PME Inovadoras | ABERTURA

Inovação e competitividade, o desafio das PME

Inovação e competitividade marcam o perfil de muitas das pequenas e médias empresas nacionais, que “lutam” por se impor num cenário empresarial nacional e internacional altamente desafiante. Depois de dois anos de pandemia, o conflito bélico das últimas semanas no Leste da Europa volta a pôr à prova a capacidade empreendedora e a resiliência do tecido empresarial nacional, num enquadramento económico que se faz de relações comerciais internacionais





A inovação é o caminho para a recuperação e para um crescimento sustentado”, afirmou recentemente na imprensa a presidente da Agência Nacional de Inovação a propósito do sector nacional de pequenas e médias empresas (PME). Uma observação que vai ao encontro do esforço que o sector empresarial português – que, de acordo com os dados da Pordata (baseados no INE), em 2019 tinha 99,9% de micro, pequenas e médias empresas no total de empresas – tem feito nos últimos anos, afetados pela pandemia, que, além de um problema de saúde mundial, tem registado danos de peso na economia dos países e nas organizações em particular.

Asseguram os profissionais que são de facto as empresas mais inovadoras as que se mostram mais competitivas e resilientes, já que a inovação é um fator crítico e determinante para fazer face aos inúmeros desafios que afetam a humanidade, desde a saúde às alterações climáticas, por exemplo, desafios esses que, além de encontrarem na inovação científica/técnica respostas, são também oportunidades de negócio para quem as souber abraçar.

E nesta matéria as organizações nacionais parecem estar a fazer bem o seu papel, uma vez que Portugal está no topo da inovação e do digital. A título de exemplo, os dados mais recentes divulgados pelo Eurostat colocam as empresas portuguesas na segunda posição (abaixo da Dinamarca) do ranking das empresas europeias que mais recorrem à inteligência artificial nos seus processos. A par disso, o reconhecimento do talento e da existência de mão de obra qualificada na área do digital é outro ponto a favor do mercado nacional.

A digitalização da economia, quer através do recurso à tecnologia por parte dos diferentes operadores económicos, quer dos seus modelos de negócio e da crescente capacitação de recursos humanos, tem sido uma realidade no tecido empresarial nacional, para o que também têm contribuído os recorrentes apoios financeiros oficiais ao sector, e que, em muitos casos, têm ajudado a ultrapassar as debilidades estruturais, e não só, das pequenas e médias empresas dos mais diversificados sectores de atividade.

Apoios financeiros, um balão de oxigénio!

Em matéria de apoios financeiros à atividade empresarial, têm-se sucedido os programas sectoriais e globais às empresas. Quer o Governo, quer instituições como IAPMEI, AICEP e Banco de Fomento, entre muitas outras, ou, numa escala maior, a Comissão Europeia, têm feito a sua parte para suportar as organizações e dinamizar a sua atividade.

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), um programa de aplicação nacional, com um período de execução até 2026, é exemplo disso. Vai implementar um conjunto de reformas e investimentos destinados a repor o crescimento económico sustentado após a pandemia, reforçando o objetivo de convergência com a Europa ao longo da próxima década.

A par de outros programas, a Comissão Europeia aprovou recentemente o programa de trabalho do Conselho Europeu de Inovação (CEI) para 2022, e aqui as oportunidades de financiamento ultrapassam os €1,7 mil milhões. Este montante vai permitir que “inovadores revolucionários se desenvolvam e criem novos mercados, nomeadamente no domínio da computação quântica, das baterias de nova geração e da terapia genética”. A comissária europeia responsável pela Inovação, Investigação, Cultura, Educação e Juventude explicou que o programa é destinado “a empresários e investigadores visionários” e que engloba novas medidas de apoio a mulheres inovadoras e a empresas em expansão.

A abrangência dos programas de apoio é vasta e vai além do sector industrial. Por exemplo, a Comissão Europeia, através da iniciativa Prémios S+T+ARTS — Innovation at the Nexus of Science, Technology and the Arts, está a apoiar projetos que incentivem a cooperação entre ciência, tecnologia e arte, o que envolve desde investigadores e empresas a artistas e profissionais criativos. O apoio financeiro é de €20 mil para projetos que façam a ligação e mostrem a colaboração entre a indústria ou a tecnologia e os sectores artísticos e criativos para incentivar a inovação e investigações que se foquem no potencial das artes para influenciar ou alterar a utilização e a aplicação da tecnologia.

Esta é apenas uma referência das muitas que existem a nível sectorial e que, nas diferentes áreas económicas de atuação, podem constituir um balão de oxigénio para não deixar morrer projetos inovadores e que podem fazer a diferença, e que estão na gaveta por falta de oportunidade.

Ainda em fevereiro, e neste caso a pensar na dinamização das startups e scaleups (um universo com crescente impacto no empreendedorismo nacional), Portugal formalizou a sua participação no processo de criação de um fundo europeu destinado a startups e scaleups europeias por forma a permitir o acesso a rondas de investimento de verbas mais elevadas, necessárias nas suas últimas fases de desenvolvimento. Trata-se de mais uma forma de promover a retenção deste tipo de empresas na Europa, evitando a deslocalização para outras regiões do mundo. Recorde-se que Portugal está na frente da Europe Startup Nations Alliance (ESNA), uma estrutura europeia para o empreendedorismo com vista à aceleração e incremento da competitividade do sector tecnológico europeu.

Indicadores de desempenho

Os indicadores numéricos são o espelho do desempenho nacional no que respeita às exportações e importações das PME. E os primeiros dados do ano (do INE) promovem algum otimismo relativamente, por exemplo, às exportações de bens. Em janeiro registaram um aumento de 22,2% face a igual mês do ano passado, ou seja, as exportações de bens ascenderam a €5629 milhões, contra os €4605 milhões de 2021. Já as importações, no mesmo período, somaram um total de €7568 milhões, apresentando uma taxa de variação homóloga de 37,5%.

As exportações para a União Europeia aumentaram 21,8%, o que representa uma quota de 73,8% no total das exportações. À semelhança dos anos anteriores, Espanha continua a ser o destino principal das exportações nacionais, com uma quota de 27,9%, seguindo-se a França e a Alemanha, com, respetivamente, 13,8% e 10,9%. Por sua vez, as exportações extracomunitárias aumentaram 23,6 % em termos homólogos, observando um peso no total de 26,2%.

Os EUA e o Reino Unido são os principais clientes extracomunitários e quarto e quinto em termos globais. Já quanto às importações, coube também a Espanha o papel de principal fornecedor de Portugal, com uma quota de 31,6%, seguida da Alemanha (11,4%) e da França (6,5%). O principal fornecedor extracomunitário, e quarto no ranking global, foi a China, com um peso de 5,9%.