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especial PME Inovadoras | opinião

Inovação e criatividade, o novo combustível das PME portuguesas

Elvira Vieira, diretora do ISAG – European Business School, e Moe Bagheri, professor

Interpretar os conceitos de “inovação” e “criatividade” apenas como características inerentes às designadas “indústrias criativas” é limitador do potencial empresarial. Ser “criativo” não é um mero sinónimo de originalidade, assim como ser “inovador” não depende somente da transição digital





I novação” e “criatividade” podem traduzir-se em aspetos tão diferenciados e diferenciadores como a satisfação das exigências do cliente, a capitalização de oportunidades de mercado que permitam ultrapassar a concorrência ou a definição de sinergias entre os vários capitais das empresas (humano, conhecimento, financeiro, rede de negócios e marca). Por isso em torno destes dois conceitos-chave de “inovação” e “criatividade” existe um trabalho de aprofundamento estratégico que deve ser compreendido, definido e implementado pelas empresas.

O autodiagnóstico é o ponto de partida imperativo, pois representa um papel importante nos processos cognitivos e emocionais dos decisores das organizações. Uma correta análise interna e externa garante conhecimento concreto, por um lado, sobre quais as lacunas a colmatar e, por outro, sobre as vantagens competitivas a evidenciar. Partindo deste trabalho, que deve ser revisitado com frequência ao longo do crescimento da própria empresa, surge o sentido de empreendedorismo, a criatividade na resolução de problemas e o caminho da inovação, que pode passar por otimizar métodos e procedimentos, atualizar produtos e serviços ou até desenvolver novas propostas comerciais.

Porém, é inegável identificarmos que existem fatores que fazem variar as oportunidades e capacidade de inovação de uma empresa e, de acordo com estudos científicos, podemos mesmo agrupá-los em 10 grandes grupos. Desde logo, os recursos financeiros são fatores críticos, assim como a infraestrutura económica ou a dimensão da empresa, que aparece frequentemente associada à sua capacidade de implementar e produzir tecnologias. Internamente, são também indispensáveis a cultura organizacional, as competências de gestão dos líderes, a aprendizagem e formação. Já a nível externo juntam-se aspetos fundamentais como a orientação para as preferências do cliente e para o mercado, baseada em quatro fatores – valor, raridade, imitabilidade e substituibilidade.

O cruzamento intrincado de todos estes fatores mostra-nos que o processo inovativo é complexo, sobretudo se considerarmos que o tecido empresarial português é constituído na sua grande maioria por empresas de pequena é média dimensão. Empresas essas que naturalmente colocam um maior enfoque na inovação quando se verificam condições operacionais difíceis, caracterizadas por ciclos de produtos curtos, rápido desenvolvimento técnico e competitividade firme. Isto é, situações de crise, em que é necessário encontrar respostas mais imediatas, como vimos acontecer de forma clara nos últimos dois anos.

Neste contexto, torna-se fundamental que os empresários portugueses tenham oportunidade de tornar o processo de inovação das suas organizações numa aposta mais estável, transversal entre departamentos e setores e, sobretudo, acessível e simplificada. Para isso torna-se imprescindível estimular a formação de líderes, valorizar o capital humano das organizações e disponibilizar programas de apoio ao crescimento dos negócios. Só com equipas preparadas e motivadas, com altas competências técnicas e sociais, conseguiremos enfrentar os desafios da economia global – oferecendo-lhe diferenciação e afirmando a nossa capacidade competitiva.