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especial empreendedor região norte | Entrevista

Adega de Monção aposta na sustentabilidade ambiental

Armando Fontainhas, presidente da Adega de Monção

Maior produtor da sub-região de Monção e Melgaço investe na diminuição da sua pegada ecológica e investe no lançamento de novos vinhos





M ais de 60 anos depois de ter sido fundada, em 1958, a adega que produz duas das marcas da Região dos Vinhos Verdes mais conhecidas em Portugal, Muralhas e Deu La Deu, está a apostar de forma crescente na diminuição da sua pegada ambiental. Segundo o seu presidente, Armando Fontainhas, prevê aumentar a sua capacidade de produção própria de eletricidade a partir de fontes renováveis, até um valor próximo dos 300 kW. Também investiu no lançamento de novas referências, que demonstram a qualidade e plasticidade da casta Alvarinho.

Nos tempos mais recentes, eventos que não têm a ver diretamente com o mundo dos negócios, como a última pandemia e, mais recentemente, a invasão da Ucrânia, têm afetado significativamente a economia. De que forma isso tem influenciado o negócio da Adega de Monção?

A Adega Cooperativa de Monção (ACM) faz vida e negócio com a terra, a vinha e o vinho. Daí sabermos há muito que, por mais excêntrica que nos pareça uma crise global, ela nos afeta sempre. Ainda mais quando resulta de um conflito militar que envolve um dos maiores produtores de energia e um dos maiores produtores siderúrgicos e cerealíferos mundiais. Tudo fica mais demorado, mais raro e mais caro. É o que sucede hoje.

Aumentaram transversalmente todas as matérias-primas, do papel às rolhas, do vidro às caixas. Para além disso, o custo de transporte para fazer chegar o vinho aos consumidores, estejam mais perto ou mais longe, nos mercados de exportação encareceu imenso. Adiciona-se a este cenário difícil o facto de termos estado até agora em franco crescimento nos mercados da região em conflito, tendência que se transformou numa queda abrupta, como é natural. Mas temos que lidar com isto e de continuar a aprofundar os caminhos já iniciados, como o da diminuição da pegada ecológica da adega através da adoção de uma garrafa mais leve, com menos vidro, e, por isso, com menos gasto de energia na sua produção, e, claro, substituindo veículos de serviço a combustão por viaturas eletrificadas. No mesmo sentido vai a nossa aposta, já em curso, na energia solar.

Já temos uma capacidade instalada de 75 kW, a que se somarão muito em breve mais 145 kW e, em sede de candidatura aos Planos de Desenvolvimento Rural, ainda outros 80 kW adicionais, o que totaliza quase 300 kW de energia obtida a partir de fontes renováveis.

Principais Prémios

• Cooperativa do Ano para a Revista Vinhos em 1997 e 2007.

• Prémio Empreendedorismo e Inovação, atribuído pelo Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e Pescas em 2008.

• Estatuto PME Excelência, atribuído pela primeira vez em 2009 e renovado todos os anos desde então.

A Adega de Monção tem sustentado o seu negócio ao longo dos anos essencialmente na produção e comercialização de duas marcas: Muralhas de Monção e Deu La Deu. Quais as bases do sucesso alcançado?

A ACM já cá anda há 64 anos e nunca se desviou de um caminho que tem sido construído em conjunto com todos os seus cooperantes. E tem sido feito de forma organizada e competitiva, procurando manter sempre a sustentabilidade económica, social e ambiental do nosso negócio. Relembro que somos hoje um dos maiores empregadores indiretos dos concelhos onde operamos e uma das adegas cooperativas que melhor remunera a matéria-prima do país.

Como a qualidade é essencial ao sucesso nos exigentes mercados onde estamos ativos, apoiamos os nossos viticultores na reconversão das suas vinhas, com o objetivo de melhorar a sua produtividade, a qualidade das uvas que produzem e, desta forma, ainda mais a dos vinhos que a ACM coloca no mercado. Desta forma queremos continuar a consolidar o posicionamento dos nossos vinhos no mercado nacional e nos mercados internacionais, para nos mantermos fortemente competitivos.

Hoje, somos reconhecidos porque colocamos nos mercados produtos sólidos, de qualidade constante, com uma evolução que tem sempre em conta as tendências dos mercados sem comprometer as características que identificam a nossa região, a identidade da nossa casa e as promessas que o nosso produto pode cumprir.

Inovar é essencial nos tempos que correm, num mundo cada vez mais concorrencial, onde não basta oferecer ao mercado apenas produtos e serviços de qualidade, mas também diferentes, para garantir a sustentabilidade do negócio ao longo do tempo. É por isso que a Adega de Monção apostou em novos lançamentos?

Sempre soubemos dar passos firmes, não arriscando fazer o que não sabemos, consolidando o que produzimos, a sua qualidade e o sucesso comercial e o reconhecimento de quem vende e consome os nossos vinhos. E de quem passa a fazê-lo.

Além de orgulhosos produtores do Muralhas de Monção e do Alvarinho Deu La Deu, somos o maior produtor da sub-região de Monção e Melgaço e quem mais recebe e vinifica uvas Alvarinho. Por isso mesmo, somos também quem apresenta melhores condições para estudar e experimentar os limites da casta. Com base nesse trabalho, lançámos o Deu La Deu Terraços, vinho construído a partir de leveduras autóctones da sub-região. E olhámos para o retrovisor, recriando o Alvarinho Deu La Deu Histórico, um notável vinho de curtimenta. E porque somos gente séria, mas não sisuda, não esquecemos o valor da celebração, e criámos o multipremiado espumante Muralhas de Monção. Por fim, num sentido profundamente inovador, mas também autêntico, fizemos nascer um vinho estagiado em madeira, o Deu La Deu Premium, que já foi considerado por duas vezes o Melhor Vinho Branco Português no concurso da ViniPortugal.

O que é hoje a Adega Cooperativa de Monção?

Somos os mesmos que éramos em 1958 e, acreditamos, somos os mesmos que seremos em 2058. E, no entanto, rejuvenescemos a cada ano.

Recebemos a uva, vinificamos, loteamos e engarrafamos, mas também formamos e promovemos quem nos confia o fruto do seu trabalho. E remuneramos bem acima da média, contribuindo para que não abandonem as nossas terras e se mantenham a viver neste território de Monção e Melgaço. Somos seus concidadãos e por isso sentimos uma forte responsabilidade social e precisamos deles. Sempre produziremos e colocaremos no mercado vinhos da Região de Monção e Melgaço, hoje com base em processos já certificados pela Internacional Food Standards (IFS) para atender aos novos requisitos de qualidade, transparência e eficiência decorrentes da globalização, que receberam também a acreditação da agência federal norte-americana Food and Drug Administration (FDA).

Quais têm sido os principais investimentos feitos pela adega que contribuíram para sustentar o seu sucesso, e porquê?

Todos os anos precisamos de acrescentar valor, mantendo sempre a coerência com o que somos. As boas práticas que adotamos e o trabalho que temos feito de qualificação e promoção da casta Alvarinho mostram o nosso empenho nisso. E os prémios PME Excelência, as várias distinções no concurso Melhores Verdes e os prémios conquistados fora de portas nos concursos Internacional Wine Challlenge e Mundus Vini, entre outros, demonstram que este percurso de contínua atualização era o certo.

Mas queremos mais. Por isso investimos recentemente na linha de engarrafamento, com um equipamento que nos permite a colocação automática das caixas de vinho em palete e de uma nova rotuladora. Outra nova aquisição foi a máquina capsuladora screwcap, modo de acabamento muito valorizado em mercados como os dos países nórdicos e anglo-saxónicos. Por fim, não quero deixar de fora o investimento de sucesso que foi a nossa loja online e a aposta na energia renovável.

Factos & Números

A Adega de Monção produz anualmente cerca de oito milhões de quilos de uva por ano, 60% dos quais da casta Alvarinho. Atualmente possui dois polos de produção com capacidade para receber 700 mil quilos de uva por dia e uma capacidade de armazenamento superior a 10 milhões de litros. A Adega de Monção possui capacidade de vinificação e engarrafamento da totalidade dos vinhos produzidos, tendo sido para o efeito adquirida em 2005 uma nova linha de engarrafamento com uma capacidade de produção de seis mil garrafas/hora.

Número de sócios: 1642.

Área de vinha abrangida: 1237 ha.

Número de colaboradores: 30.

Número de garrafas produzidas e comercializadas em 2021: 6,5 milhões.

Volume de negócios em 2021: 16,3 milhões de euros.

Percentagem de exportação: Cerca de 20%.

Principais mercados de exportação: Polónia, Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e França.